Brasil é grande exportador de petróleo, mas gás natural ainda enfrenta muitos desafios, diz analista

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de gás natural do Brasil bateu recorde em julho e a de petróleo atingiu o maior índice já observado em um ano, de acordo com Uol.

A produção de gás atingiu 139,133 milhões de metros cúbicos por dia em julho, alta de 6,75% diante do mesmo período em 2020 e um avanço de 2,5% ante junho deste ano.

No caso do petróleo, foram registrados 3,04 milhões de barris por dia (bpd) em julho, queda de 1% na comparação anual e avanço de 4,9% na mensal. O volume é o maior desde agosto de 2020, quando o país produziu 3,08 milhões de bpd.

Juntando a produção de petróleo e gás, o Brasil produziu 3,92 milhões de barris de óleo equivalente por dia, avanço de 0,6% em relação a um ano antes e alta de 4,3% versus junho.

Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO) afirma que o setor de petróleo e gás no Brasil se apresentou muito resiliente durante a pandemia porque a produção vem se concentrando “cada vez mais na área do pré-sal, a qual apresenta altíssima rentabilidade, então a atratividade da produção do petróleo nessas áreas é muito elevada”.

“Apesar da crise do ano passado e dos cortes que aconteceram em todo mundo, no pré-sal, a produção se manteve mais ou menos no mesmo patamar”, contou Almeida em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil.

Entretanto, o analista ressalta que os efeitos da pandemia foram sentidos nas operações diretas com a diminuição de investimentos a partir do momento que funcionários a bordo das plataformas e das sondas de perfuração ficaram infectados pela covid-19.

No caso, a produção continuou, mas o ritmo de expansão apresentou redução com a não perfuração de novos poços, por exemplo, por conta da crise sanitária, segundo o especialista.

No entanto, mesmo com contexto pandêmico, Almeida diz que “o Brasil, no que tange ao setor do petróleo, está em uma trajetória interessante, pois já é um grande exportador com potencial para aumentar ainda mais a produção”.

Gás natural e pré-sal

O professor elucida que, mesmo com a crise, em junho deste ano, novas plataformas e novos postos da Petrobras foram conectados, e que tal fato contribuiu para os altos índices de produção apontados pela ANP.

Almeida destaca que 90% do gás natural produzido e comercializado no Brasil vem de campos associado ao petróleo, e por conta disso, o “gás vem se destacando porque o petróleo aumentou sua produtividade também”, no entanto, o especialista salienta que o setor ainda enfrenta desafios.

“Em relação ao mercado de gás nós ainda temos muitos desafios porque há pouca infraestrutura, o mercado não é maduro como na Rússia que já tem todas as instalações, então precisamos fazer um marco regulatório […] para atrair investidores, não só para produção de gás, mas também para infraestrutura de transporte e distribuição através de dutos e gás natural liquefeito [GNL] para criar mercado e escoar o potencial produtor de gás”.

O professor complementa considerando que “as empresas russas têm muito a ensinar ao Brasil, e podem auxiliar no desenvolvimento do setor de gás natural do país”.

Em relação ao petróleo elaborado a partir do pré-sal, o especialista afirma que, neste momento, o Brasil conta com um grande campo em desenvolvimento em Búzios, o qual vai fabricar mais de um milhão de barris, o que levará a um incremento da produção nos próximos dois, três anos.

“Nos próximos dois, três anos, vamos observar aumento da produção no país, entretanto, o tamanho desse aumento está relacionado ao ritmo de instalações de novas plataformas […] vai depender muito do que vai acontecer no segmento da indústria de bens e serviços.”

Adicionalmente, Almeida pontua que no pré-sal o país tem postos produtores de até 40 mil barris por dia, o que é “uma produtividade atingida em poucos países do mundo”.

“Os poços que elaboram o pré-sal são, em média, dez vezes mais produtivos, daí a competitividade elevada da área do pré-sal. Alguns campos, como o Lula e agora o de Búzios, estão atingindo níveis de produção acima de 25, 35 mil barris por dia, que são patamares extremamente elevados.”

Privatização da Petrobras

Segundo Almeida, a Petrobras não está em processo de privatização, mas sim “revisando seu portfólio de projetos”. O analista conta que a empresa, hoje, tem cerca de 300 campos de petróleo, porém, planeja ficar só com 20, no entanto, esses 20 campos representam 95% da produção de petróleo.

“A Petrobras está vendendo pequenos campos, campos marginais, porque ela quer focar no pré-sal, no offshore, em águas profundas de grande produtividade. Portanto, a venda de ativos não vai afetar de forma significativa a produção de petróleo e gás da empresa, e vai abrir oportunidade para que agentes privados entrem nesses campos menores trazendo novos investimentos.”

O professor complementa dizendo que “enquanto o pré-sal oferecer oportunidades de investimento para Petrobras, fará sentido a empresa privatizar esses ativos”.

Contudo, para que esses ativos sejam atrativos para investidores privados, Almeida salienta que o preço do petróleo precisa ficar “no patamar atual, acima de US$ 50 [R$ 269]”, e também menciona que o contexto político pode acelerar ou reduzir as negociações.

“A Petrobras é estatal. O governo atual tem uma gestão mais liberal, que prioriza o setor privado, mas ano que vem temos eleições, se entrar um governo mais estatista, aí pode ser que o ritmo de vendas diminua.”

Gasoduto Rota 1

Almeida diz que o gasoduto é a principal rota de escoamento da produção de gás do pré-sal no Brasil, e que neste momento, ficará 30 dias inoperante para manutenção. O especialista considera que a operação é complicada, uma vez que a oferta de gás no país depende do pré-sal, e a Petrobras pretende, durante os reparos, importar GNL.

“Essa manutenção vai aumentar muito o risco de suprimento de gás no Brasil, pela falta do terminal de importação do GNL que não aconteceu por questões comerciais da empresa”, considerou o analista.

Novo modelo de comercialização de biodiesel

No dia 12 de agosto, a ANP anunciou a aprovação para realização de consulta pública de 45 dias, seguida de audiência pública, sobre a regulamentação do novo modelo de comercialização de biodiesel em substituição aos leilões públicos, para atendimento do percentual de mistura obrigatória ao diesel de origem fóssil.

Almeida conta que, atualmente, “temos uma mistura obrigatória de diesel no Brasil” e que a Petrobras recebeu, em 2005, “a missão de ser a empresa responsável por comprar o biodiesel, de qualquer produtor interessado, e misturar no diesel produzido no país ou importado”.

“A estatal é responsável pela comercialização e logística, porque o biodiesel é produzido em vários lugares do país, principalmente pelos produtores de soja, por frigoríficos, e portanto, a empresa faz um leilão no qual cada mês ela compra dos fabricantes a quantidade necessária para atingir a mistura obrigatória”, explicou o especialista.

Com essa nova medida, o professor clarifica que a intenção do governo é “mudar o mecanismo de aquisição para descentralizar as compras de biodiesel, ou seja, não será só a Petrobras que realizará a compra, mas também os distribuidores de diesel”.

“O governo está fazendo isso pois pretende privatizar metade das refinarias da estatal, e sendo assim, deixou de fazer sentido usar a empresa como um comprador único de diesel. A ideia é ver se um mercado de combustível se desenvolve no Brasil para criar plataformas de comercialização seguindo a orientação de um mercado mais ‘liberalizado’ de diesel.”

Almeida também comenta que, para impulsionar a produção de biocombustível, a mistura obrigatória é uma das estratégias utilizadas pelo governo, uma vez que “o biodiesel é mais caro que o diesel, e se não criar essa mistura obrigatória, ninguém vai comprar biodiesel porque não vale a pena”.

Portanto, segundo o professor, “o governo pretende ir aumentando essa mistura obrigatória na medida em que isso não encareça muito o custo do diesel”.

“O preço do diesel no Brasil é um tema muito sensível politicamente porque a matriz de transporte no país depende do diesel, cerca de 40% dos combustíveis consumidos nas frotas de caminhões, na parte ferroviária, no transporte público nas cidades, todas essas áreas dependem muito desse combustível.”

Offshore Technology Conference

A ANP participou, esta semana, da Offshore Technology Conference (OTC, na sigla em inglês), realizada de 16 a 19 de agosto em Houston, nos EUA, conforme noticiado pela agência.

Segundo Almeida, é muito importante que o Brasil participe desse evento, porque o mesmo “é o principal evento offshore do mundo, tanto do ponto de vista tecnológico quanto comercial, já que as empresas que vendem bens e serviços para o segmento estão nesse evento”.

“O Brasil é o principal mercado para essas empresas, porque a fronteira offshore no país é a maior fronteira do mundo em termos de investimento, equipamentos e de plataformas novas sendo instaladas.”

A OTC é “um ponto de encontro importante entre os operadores que estão no Brasil e seus fornecedores, para conhecerem tecnologias e fazerem negócios”, disse o professor.

Adicionalmente, Almeida destaca que para o governo brasileiro, “é significativo estar presente na intenção de atrair investidores e mostrar as oportunidades que temos no país, não apenas no offshore, mas também no onshore”.

“Temos os campos que a Petrobras pretende vender, os leilões de áreas exploratórias, então é muito importante estarmos presentes na OTC e historicamente o Brasil sempre teve uma participação bastante ativa neste evento.” (com Yasmin Scali, Polina Balashova/agência Sputnik Brasil)

Fonte: https://www.jb.com.br/economia/2021/08/1032320-brasil-e-grande-exportador-de-petroleo-mas-gas-natural-ainda-enfrenta-muitos-desafios-diz-analista.html

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